Fomos acordados pelo demônio da meia-noite: a violência são-gonçalense

 

- Escrito por Manacy Henrique em 27 de dezembro de 2017

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Fomos acordados pelo demônio da meia-noite: a violência são-gonçalense

“Ou nos mudamos ou seremos alvo fácil dos bandidos”, suplicou minha mulher.

O meu quarto de dormir faz tempo que o transformei numa guarita. Infelizmente, depois que estou morando no Bairro Santa Terezinha III, em São Gonçalo do Amarante, RN, uma noite outra não dou plantão; sou a sentinela da família.

Certamente, por falta de Segurança Pública, a maioria dos meus vizinhos está vivendo o mesmo drama que eu. A coisa está tão sem controle que ter dois graduados da Polícia Militar vizinhos de muro não me acalmam.

Hoje, como nas noites anteriores, fui empurrado para a janela do quarto que me deito pelos sobressaltos da mulher e do filho, além do nervosismo de minhas cunhadas. Foi “bala em banda de lata!”. Pasmem, estamos sendo forçados a andar dentro de casa agachados.

O fato da cidade, geograficamente, ser abraçada por Natal, isso rouba de mim a esperança que, num espaço curto de tempo, a tranquilidade volte. Pois a capital, que acaba de comemorar mais um aninho, foi considerada a mais violenta do Brasil.

Segundo dados de 2016, a vizinha para quem o sol nunca se põe, entre 50 cidades, é 10ª mais violenta. Não podemos deixar de considerar que a falta de polícias nas ruas também encoraja a ação da bandidagem. Hoje, com certeza estamos num beco sem saída!

Lamento profundamente “Bira”, “Berg” e Márcia Soares, amigos entrincheirados. Vou pegar um saco colocar minhas panelas, meus trapos dentro e vou morar naquele lugar. Chega! Posso me acostumar com qualquer coisa, menos com o medo estampado no rosto de Pedro Henrique, meu filho.

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