Pirituba

- Autor: Manacy Henrique em 29 de junho de 2011

Pirituba

Não coube em mim a emoção ao passar por Pirituba, comunidade abraçada por Utinga e Bela Vista, e ver uma mangubeira desfolhando-se, timidamente, das lembranças do ano de 1924. O professor Joca que é parte da história viva de Pirituba fez-me acreditar no que vi através das suas confidências.

Onde está a sensibilidade cultural dos governantes? Meu Deus! Não conseguem enxergar com os olhos da sabedoria um quinhão da história e da cultura popular do povo sãogonçalense que fora marcada com o seu próprio sangue? Pirituba na política teve o seu coronel. No comércio tinha as suas lojas de portas altas e largas de tecidos, alpercatas e havia feira livre dos secos e molhados. Socialmente, havia três festas de tradição: O baile dos ricos que acontecia na casa de dona Lulu, Luísa Correia, que na época era dona da maior parte das terras de Pirituba. O baile da classe média e o dos pobres, estes aconteciam embaixo de um grande pé de gameleira. A grande demonstração de fé da comunidade acontecia na procissão de São Sebastião que fazia o itinerário de Califórnia a Pirituba e se encerrava em frente a igreja. Fiquei muito feliz e surpreso ao saber que a educadora Jéssica Débora, ex-mulher do Seu Silvio Pontes, mãe e pai de Doutor Marcel – beirando os seus quinze anos fora a primeira educadora a abrir uma sala de aula e dedicar-se a ensinar o bê-á-bá aos moradores da comunidade. Dona Jéssica Débora transformara-se também na grande tradutora e confidente dos pensamentos de Café Filho, ex-presidente do Brasil, que nascera em Utinga. Duvidei da naturalidade do ex-presidente, mas o professor Joca e Luizinho do Forró, filho de Seu Luquinha, me garantiram que essa marca histórica é verdadeira. Um dos ex-presidentes do Brasil usou as ruas de Pirituba como fonte de suas inspirações para brincar e alimentar a sede de sua infância. Na música Pirituba deu para o mundo artístico Ademilde Fonseca que fizera sucesso com Tico-Tico no Fubá e o Brasileirinho. Seu João Francisco, tio de Luizinho do forró, não resistiu ao descuido dos governantes, abandonou a sua casa e foi morar no auto de Califórnia. É de conhecimento das pessoas que o ex-empresário da fazenda Califórnia, ali também funcionou um engenho que fabricava a cachaça “Dois Tombos”, Leônidas de Paula sempre contribuiu financeiramente para manter o bom estado de conservação da Igreja de São Sebastião.

Em 1924, ano em que, também, os comunistas navegavam no Rio Potengi naquela região. Neste ano o Rio Potengi avançou pelo centro de Pirituba e aí, aos moradores, não restou outra alternativa a não ser mudarem-se para Bela Vista, Campinas, Utinga, Califórnia e Belo Horizonte. Meu amigo professor Joca, resquícios dessa história, e o senhor Reginaldo, este, neto de Francisco Correia de Lima, me contaram também que em 1935 um cidadão muito rico do lugar, o Seu Otaviano Monteiro, avô de Geraldo Monteiro pai do presidente do time do Bonsucesso, Gerson, mandou os seus empregados enterrarem o seu dinheiro em um lugar onde existia uma carvoeira. Estes demoraram meio dia para carregarem a riqueza do homem. É sempre uma emoção especial tocar em Pirituba quer seja no seu solo ou na sua história.

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